terça-feira, 14 de abril de 2009

CONTO


‘‘CONTO ERÓTICO’’

Amanda de Oliveira


1° encontro
Cenário (Rua do sol)

Mariane - Posso? (falou referindo-se ao espaço vazio no banco)
Eu - Claro! (pensei, mas não verbalizei... Nem ao menos olhei para o lado de curiosidade).

Éramos dois desconhecidos... Dois corpos que se investigavam...
Não existiam exigências!
Mariane - Você está bem?

Olho para o lado e o universo saiu do lugar! E naquele começo do dia. Conversamos por 8h sem o menor exagero!
No começo me calei, fui covarde... Tentei me concentrar para poder apagar o incêndio que havia em mim, mas em segundos eu já tinha me tornado pó.
Ela me olhava como se já vivêssemos juntos, e suas palavras demonstravam segurança.

ELA- 25 anos, aparência atraente... Solteira e sem filhos
EU- 23 anos, de uma vida desconhecida até aquele dia.

Durante 5 dias não tenho noticias dela... Eu sabia o que era o desejo... Mas dessa vez ele parecia vir acompanhado de outra coisa.
Ela era provocativa, sorria quando aceitava um elogio, respondia perguntas com outras, e não mostrava fragilidades.
Ligo para ela, ela parece não prestar atenção... Fico ainda mais interessado...
Pareço sem ação, falo bobagens, o silêncio prolonga...
As coisas sempre aconteceram depressa demais em minha vida... Antes dela, eu achava que conhecia o mundo, a sociedade, as substituições, e os próximos passos das pessoas que pareciam ter sido colocadas de propósito no mundo, só para que eu pudesse encontrar.
Pelo telefone sinto a respiração dela... Consigo convencê-la...
Tento marcar em uma festa, ela preferi jantar na minha casa...
Nunca fui muito racional e nem dava pra ser perto de algo tão avassalador assim.
Não parecia haver desvantagens em entrar na sua vida!

A noite está linda...
Saiu pra comprar o vinho..., cozinho pra ela, penso em flores... Mas não sabia se ela iria gostar, pois ao contrário do que dizem: Nem todas as mulheres gostam de receber flores. Às vezes as flores assustam uma mulher!
O telefone toca várias vezes... Imagino que ela esteja ligando para desmarcar...
Meu coração salta várias vezes em pensar na possibilidade de não vê-la.
Deixo o celular no bolso, sinto vontade de fumar... Mais me contento com uma bala de menta. Olho pro relógio... Penso em toda minha vida, em todas as pessoas que amei, em todas as palavras, histórias e guerras que aceitei...
A Campânia toca... O mundo gira!

2° encontro
Cenário (meu apartamento/sala de jantar)


Eu – o que você quer beber?
Mariane – lhe acompanho no que escolher.
Sai e voltei com uma garrafa de vinho... Ela apenas e ela fez um sinal afirmativo com a cabeça.
Estava com medo que algo pudesse dá errado, mais ela tinha tudo sob controle, e se algo fugisse... Ela recuperava a situação quando falava.
Bebemos a 1° garrafa e sentir-me aliviado por ter comprado outras de reserva... Geralmente não se tomam mais que duas taças durante uma refeição.

O desejo nos aproxima... Ela abaixa a alça da blusa e me deixa imaginando o tamanho dos seus seios...
O tempo não custava a passar e ela parecia entender minha imaginação.

Mariane – qual o sentimento é insuportável pra você?
Eu – saudades.
Mariane – por quê?
Eu – porque a parte mais difícil pra mim, sempre foi ter que esperar por alguém.
Não sei o que ela deve ter pensado... Apenas levantou-se, e não proferiu nenhum comentário!

Eu estava ali sentado com uma mulher que mal conhecia e já sabia que sua cor preferida era verde, que a parte preferida de seu corpo é seu abdômen, que todos gostam do seu cabelo menos ela, e que escuta dance quando está mal com a vida.
Que às vezes tem vontade de sumir, que chora sem motivos, e que fica no computador até suas costas doerem.
O mundo acelerava... Tudo em câmera lenta.
Eu me sufocava com seus sorrisos e seus pecados.
Estava sem ar..., sem órbita...
Queria me livrar das proibições que nos cercava, e ficar no seu corpo até que as limitações não tivessem importância.
Suas pernas tocavam ligeiramente a minha, e por um momento apenas nossos olhos falavam. Levantei... E apaguei as poucas luzes que restavam!

Mariane – o que você esta fazendo?
Eu – você sabe! (falei segurando sua mão)
Mariane – não... Só imagino!



3° Encontro
Cenário (meu quarto)


Seu corpo estava quente... Começo a beijar-lhe...
Por um momento o mundo deixa de existir! Toco seu corpo... À vontade me excita!
E ela desabotoa o sitiam, ri e me puxa para seu corpo despido.
Movíamos-nos como se fosse um encaixe do outro.
Às vezes ela se inclinava para que eu lhe beijasse... E não havia duvidas que naquele momento eu lhe pertencia.
Eu sentia o toque dos seus pés em cima dos meus... Nossos olhos mal se desviam...
Ela tira o que sobra de suas roupas e me despi enquanto sua boca abraça a minha
Nossos sexos se tocam...
O ar era intragável...
A ausência de nossas roupas... – não existe resistências...
Tudo é explicito, sua respiração aumenta...
Toco seus seios, beijo-os... – nada é injusto!
Ela entrava e saia dentro de mim, me desvirava como se conhecesse meus segredos...
Suas unhas passeavam pelas minhas costas e eu a sentia molhada em mim.
Mariane parece ter sido feita sob medida pra mim... As nossas vontades se espalham...
Ela entrelaça seus dedos entre os meus e percebo o quanto suas caricias são sofisticadas.
Seus pêlos roçam pelas minhas coxas, o corpo se arrepia...
O calor cresce!
Meu rosto encosta no seu, nosso beijo é completo... Nosso abraço é linear!
Meu pensamento tem o ritmo de suas mãos... Ela sobe e desce com sua boca por todo meu corpo e me abraça faminta e sem cansaço.
Sua pele parece ter sido criada por meus dedos..., eu lhe amava com meus lábios e ela apertava minha nuca e fechava os olhos com força.
Nossos corpos se misturam e eu sabia que viveria algo exagerado com ela.
As respirações aumentam...
Beijo a parte interior da coxa, e ela se senti acariciada...
Toco seu rosto, sinto seu cheiro..., meus dedos contornam seus seios, e eu descubro seu corpo lhe tocando como se fosse ela mesma.
O rádio tocava uma música que lembro ter escutado na infância...
O suor escorri... Os movimentos ficam mais rápidos...
Ela me olha, me nota, me beija e me faz sentir único.
Os cabelos dela parecem colar em minha boca, seu jeito de pisar de mansinho antes de cair na cama..., meu corpo examinado por seus lábios...
Não existia cobranças... – mas ninguém aceita ser objeto se paixão sem fazer exigências.
Fizemos amor a noite toda, mas parecia que sempre vivemos juntos...
Dormimos abraçados e sem pressas! Depois de um tempo ela me acorda... eu a beijo ainda sonolento...

Eu – já quer se livrar de mim?
Mariane – não devia se preocupar com o próximo passo agora, preocupe-se com ele quando o estiver dando.
Eu – você sabe onde quero chegar?
Mariane – no futuro.
4° encontro
Cenário ( Rua do sol)


Eu – qual sentimento você não consegue conviver?
Mariane – inveja.
Eu – só?
Mariane – só. Porque todos os outros por melhor ou pior que sejam, nos faz aprender algo.
Ficamos um momento em silêncio... Foi como se um anjo passasse...
Ela olhou pra mim como se já tivesse respostas pra todo, e estava feliz pelo tempo que ela pedira.

Mariane – você já sabe né? (falou com ar de risos)
Eu – não... só imagino.
Mariane – sabe onde quero chegar?
Eu – no futuro.

Fim

quarta-feira, 8 de abril de 2009


beijo, toque...
não existia brutalidade,
mãos entre os cabelos, cafuné
reacariciam...
suas mãos geladas, sem intervalos!
os cílios se tocam
sua voz,... na dá lugar pra mim...
eu estendida pelo trageto de seus lábios,
sem chances, sem esperança,
sem papeis, sem textos.
(eu)

segunda-feira, 16 de março de 2009

Opostos

OPOSTOS


‘‘ Os opostos não se atraem..., eles aprendem uns com os outros. ’’

Dos homens o maior desafio foi pensar que um dia iriam somente apaixonar-se por pessoas que tivessem personalidades idênticas.
... Amar não é uma viagem incompreensível? Amor... acho que só acontece uma vez e deve magoar sempre.
Quem ama vê mais fundo do que se pode ver porque podemos enxergar a alma.
... Você gosta de fidelidade, acha que existem pessoas que foram feitas uma para outra e que certamente a maior descoberta do homem foi o orgasmo e o ponto G., mas não entende quando encontra alguém que deixa tudo grandioso, amplo... Absurdo...
Que acha que ser fiel é um desperdício e tem obsessão por não se apaixonar.

- Você ama aquele cara de emprego inconstante, cria iguanas, joga dominó na internet, toca violão e surfa de vez em quando. Ele arrota quando toma Coca-cola e escreve poesias em noites de chuva. Mas quando a madrugada toma conta da noite ela senti a km de distância a respiração dele só com o sopro do vento.

- Você ama aquela garota que gosta de vinho, é independente, adora assistir cidade dos anjos, faz pinturas em Cds, artesanatos, teve dois empregos, quer carregar o mundo nas costas e esta sempre com o cabelo intocável.

- Mas em que vocês se combinam? Você perto dela se acha insignificante... Mas quando o suor dela escorri pelas suas costas você sabe em segredo que foram feitos um para o outro. Na verdade ninguém consegue passar a vida toda com alguém que seja tão diferente... No Maximo o que um relacionamento desses pode emplacar é duas semanas.
Quando amamos, amamos porque no amor respeitamos as diferenças e aprendemos com os acertos e desacertos. O oposto não seduz ou atrai o amor, na vida nunca esta tudo bem por completo. Sempre precisamos de alguém para nos sentirmos vivos. E pra quem gosta de verdade a dor se torna estéril.
Sem querer você imagina o jeito de morder os lábios quando a espera consome sua paciência... Você esquece os defeitos, ou aprendi que o que pra você é um defeito para trilhões de pessoas podem não ser. E que essas diferenças só ocorrem porque as maneiras de viver foram de modos diferentes. Então... Você estará deixando que alguém lhe abra o sono... Às vezes até fugindo quando lhe arrancam o espaço ao redor.
Ele viverá uma síntese de suas descobertas, será sua geografia e força do inicio ao fim. Constelações de rochas e gestos calmos e soberanos...
O queixo... O jeito de enrolar os cabelos curtos em desordem e sorrir de um sorriso miúdo, às vezes de lado, ou de orelha a orelha.
O corpo róseo, a boca irreverente de grande posse e vicio os olhos atentos e serrados... Entreabertos. A camisa colando nas costas num alvoroço que lhe arrasta pro abismo de lhe ter.
Ela de quadris amplos, de movimentos maternos e harmoniosos. A nudez na nuca, nariz esbelto, como um eclipse perfeito. Um risinho agreste e tímido que faz cócegas no céu. Sempre tem o poder de nunca pedir atenção, assim como o sol que faz bem e mal porque na demasia mata.
Então... Os opostos não se atraem eles aprendem uns com os outros. E o amor não se apega as perfeições, mas aprendi com elas... E respeitando-os conseguem se transformar em apenas um.
Consegue unir¬-se em apenas uma só alma... Acontece quando uma mão toca sua nuca, e não porque ela gosta da mesma banda musical que a sua.
Ama-se pelo cheiro, pelo tom de voz, pela fragilidade... e não por gostar de sábado e ela das tardes de domingo.
Amar é adivinhar o perfume dela em outras pessoas, e ser capaz de se ajoelhar por um beijo dela...
E entre os obstáculos inquebráveis o maior será a obsessão de nunca se separar... Apenas se sabe que é pra ser e é pra sempre.
(Amanda de Oliveira Lima)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Espelho


Espelho

- seu espelho perfurou o silêncio
Me quebrando em estilhaços
Não chorei quando doeu por dentro
Ou tropecei no cuidado.

- apenas fui grande demais
Cuidadosamente formulada
Arrastando meu movimento
Abraçando minha órbita

- tenho consciência do magnetismo
Do lírio que nascia aqui dentro
Queimando meu coração
Crescendo pelo corpo inteiro

- sem você não sei, ou morro.
Com a sepultura em suas mãos
Diminuo indigna vez em quando
Sem cinismo me desfaço no chão.

domingo, 16 de novembro de 2008

FUGA

FUGA

ELA- depois de te mar, fecho os olhos e não olho para trás... Fazia frio e mesmo assim minhas mãos suavam. Estou cheia que você ocupe todo o meu espaço mental.

ELE- você me trata como um enredo. Eu te inventei e você ‘e meus riscos, minhas criticas e o que na verdade o que eu mais amo. Eu sou teu autor e te criei em mim... Uma dessas pessoas que você imagina se perdendo em sua vida.

ELA- viver sem você me deixa tonta...

ELE- sua presença em mim também me faz estremecer.

ELA- Fostes meu alquimista! Mas porque me criastes? Sou péssima como analista de mim mesma. – você me criou assim! – por quê? - porque você quis que eu detestasse-me analisar?

ELE- não sei! Por isso te crio..., te adoro..., porque amo o que não posso ter.

ELA- como você me vê?

ELE- Sonâmbula, uma fumaça que se equilibra em meu desejo. O tipo da pessoa que você nunca se arriscaria a apaixonar-me... Pelo risco! Por não saber o que sente... Por preferir pedir a alguém a esquecer a aceitar a paixão e acreditar que uma pessoa pudesse te amar.

ELA- você fala o que me ‘e aceito! Minha alma não imita o que sou..., se sinto..., se existo...
E você ‘e o que vira no final de tudo... Você vira o meu INVENTO.

ELE- gosto de te deixar como um objeto indispensável. Gosto do seu jeito de se sentir às vezes superior. Você se esconde nas estrelas e dilui minhas cobertas... Gosto das suas mãos em meu pescoço. Perco-me em seu perfume e tento em vão não me apaixonar por você todos os dias. Mas eu te criei..., numa noite embaçada e sem lua. Se quiser posso ate de um nome, te criar formas...
Sei que você secura por me amar e se perdi quando me beija, porque eu também me perco dentro de sua saliva.

ELA- eu nasci em sua solidão..., sou sua personagem mais escorregadia e aquela que mais aprisiona seu pensamento. Sou seu Judas e Barrabas..., porque alem de tudo sou teu avesso.

ELE- Eu sou tua borboleta e você ‘e meu casulo. Eu me chamo de silencio e você se expressa melhor na escuridão.
Tento não ter saudades de você e você diz que ter saudades ‘e ruim. No final o que resta ‘e o gosto do seu corpo na minha boca.

ELA- não sei onde estou...

ELE- Estas em mim... Todos os dias... Quando riu, quando choro! Você sou eu e te observo em mim...
Quando você só deixa os cabelos vestir seu corpo e colhi flores pra mim em pensamento. – ela foi meu personagem mais escorregadio que criei.
Alguém do meu subconsciente. O meu lado feminino ou a pessoa descartável para minha felicidade. Eis o final de tudo... ELA ‘e a minha personalidade mais forte! Meus adjetivos e minhas traições. Às vezes você vem rápido e demora a ir embora. Mas vou ficar quieto e logo tudo voltara ao normal... Logo você ira embora e seu serei só ELE.

ELA- você gosta de trovão?

ELE- não... Tenho medo, mas quando te criei sei que você gosta! ...Dos rugidos, das cores no céu! Eu quis que você gostasse.

Vejo que ela pode ate ser a minha matéria... Tento iniciar um dialogo, mas reduzo com medo do que posso escutar. Vou beijá-la..., ela sempre vai embora depois que a beijo... Sento na ponta da cadeira e sinto meus lábios transbordando..., solicitando que a morda... Te beijo devagar..., inteira... Apertando sua cintura contra a minha... Ela passou suas mãos entre minhas pernas e deixou que eu conduzisse o beijo. Eu conseguia manter ELA quieta em mim, ate que chegou uma hora que começou a ser mais forte que eu.

ELA- estou cheia dessa briga interior... Eu soprei um dia e você apareceu. Sendo minha contradição e meu alento! Informo que tenho alma e sou seu principio, meio e fim. Eu nasci de você e você nasceu de mim.

ELE- Vá a merda! Eu te crio porque mesmo sendo sua invenção e sua briga interior com o que você sempre imaginou..., Eu sou o único pedaço seu que Amou.

ELA- E o que mais sofreu também... Mas eu sempre sofri junto com você.

O sol nasceu em instantes em minhas pálpebras e fugiu rápido demais para minhas pupilas. Me deparo com o nada! Tentando esquecer o que jamais esqueci... ‘’ELE``

(Amanda de Oliveira Lima)

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Incertezas

Incertezas

- Longe do impróprio e da incerteza
Caminho quase sempre crua
Dentro de mim, sob as esquinas.
Uma sofreguidão me empurra;

- Era um sonho ter você comigo
Derramando lágrimas ao meu lado
Mesmo na dor de um engano
Às vezes sofrendo calado;

- Na dolorida vida, na serena morte.
No entanto sei que estas comigo
Quase sempre em olhos puros
Sempre dentro, casto, amigo...

- Nas ruas te avisto sempre sua
Escuto seu sopro e choro...
Entendemos a respiração ofegante
A lágrima contida no canto dos olhos.

Lua


Lua

Vi tua arquitetura tumultuada
Entre o olhar esquecido da lua
Sem clarão, cantigas e aromas.
Seu movimento me abria as portas...
Nua, te via lua...
Imóvel, exposta pra mim.
Deitada num colchão vagabundo
Instável com o desejo preenchido
Meu sonho estava entre as cobertas
...perdido, imposto, e crua.