
‘‘CONTO ERÓTICO’’
1° encontro
Cenário (Rua do sol)
Mariane - Posso? (falou referindo-se ao espaço vazio no banco)
Eu - Claro! (pensei, mas não verbalizei... Nem ao menos olhei para o lado de curiosidade).
Éramos dois desconhecidos... Dois corpos que se investigavam...
Não existiam exigências!
Mariane - Você está bem?
Olho para o lado e o universo saiu do lugar! E naquele começo do dia. Conversamos por 8h sem o menor exagero!
No começo me calei, fui covarde... Tentei me concentrar para poder apagar o incêndio que havia em mim, mas em segundos eu já tinha me tornado pó.
Ela me olhava como se já vivêssemos juntos, e suas palavras demonstravam segurança.
ELA- 25 anos, aparência atraente... Solteira e sem filhos
EU- 23 anos, de uma vida desconhecida até aquele dia.
Durante 5 dias não tenho noticias dela... Eu sabia o que era o desejo... Mas dessa vez ele parecia vir acompanhado de outra coisa.
Ela era provocativa, sorria quando aceitava um elogio, respondia perguntas com outras, e não mostrava fragilidades.
Ligo para ela, ela parece não prestar atenção... Fico ainda mais interessado...
Pareço sem ação, falo bobagens, o silêncio prolonga...
As coisas sempre aconteceram depressa demais em minha vida... Antes dela, eu achava que conhecia o mundo, a sociedade, as substituições, e os próximos passos das pessoas que pareciam ter sido colocadas de propósito no mundo, só para que eu pudesse encontrar.
Pelo telefone sinto a respiração dela... Consigo convencê-la...
Tento marcar em uma festa, ela preferi jantar na minha casa...
Nunca fui muito racional e nem dava pra ser perto de algo tão avassalador assim.
Não parecia haver desvantagens em entrar na sua vida!
A noite está linda...
Saiu pra comprar o vinho..., cozinho pra ela, penso em flores... Mas não sabia se ela iria gostar, pois ao contrário do que dizem: Nem todas as mulheres gostam de receber flores. Às vezes as flores assustam uma mulher!
O telefone toca várias vezes... Imagino que ela esteja ligando para desmarcar...
Meu coração salta várias vezes em pensar na possibilidade de não vê-la.
Deixo o celular no bolso, sinto vontade de fumar... Mais me contento com uma bala de menta. Olho pro relógio... Penso em toda minha vida, em todas as pessoas que amei, em todas as palavras, histórias e guerras que aceitei...
A Campânia toca... O mundo gira!
2° encontro
Cenário (meu apartamento/sala de jantar)
Eu – o que você quer beber?
Mariane – lhe acompanho no que escolher.
Sai e voltei com uma garrafa de vinho... Ela apenas e ela fez um sinal afirmativo com a cabeça.
Estava com medo que algo pudesse dá errado, mais ela tinha tudo sob controle, e se algo fugisse... Ela recuperava a situação quando falava.
Bebemos a 1° garrafa e sentir-me aliviado por ter comprado outras de reserva... Geralmente não se tomam mais que duas taças durante uma refeição.
O desejo nos aproxima... Ela abaixa a alça da blusa e me deixa imaginando o tamanho dos seus seios...
O tempo não custava a passar e ela parecia entender minha imaginação.
Mariane – qual o sentimento é insuportável pra você?
Eu – saudades.
Mariane – por quê?
Eu – porque a parte mais difícil pra mim, sempre foi ter que esperar por alguém.
Não sei o que ela deve ter pensado... Apenas levantou-se, e não proferiu nenhum comentário!
Eu estava ali sentado com uma mulher que mal conhecia e já sabia que sua cor preferida era verde, que a parte preferida de seu corpo é seu abdômen, que todos gostam do seu cabelo menos ela, e que escuta dance quando está mal com a vida.
Que às vezes tem vontade de sumir, que chora sem motivos, e que fica no computador até suas costas doerem.
O mundo acelerava... Tudo em câmera lenta.
Eu me sufocava com seus sorrisos e seus pecados.
Estava sem ar..., sem órbita...
Queria me livrar das proibições que nos cercava, e ficar no seu corpo até que as limitações não tivessem importância.
Suas pernas tocavam ligeiramente a minha, e por um momento apenas nossos olhos falavam. Levantei... E apaguei as poucas luzes que restavam!
Mariane – o que você esta fazendo?
Eu – você sabe! (falei segurando sua mão)
Mariane – não... Só imagino!
3° Encontro
Cenário (meu quarto)
Seu corpo estava quente... Começo a beijar-lhe...
Por um momento o mundo deixa de existir! Toco seu corpo... À vontade me excita!
E ela desabotoa o sitiam, ri e me puxa para seu corpo despido.
Movíamos-nos como se fosse um encaixe do outro.
Às vezes ela se inclinava para que eu lhe beijasse... E não havia duvidas que naquele momento eu lhe pertencia.
Eu sentia o toque dos seus pés em cima dos meus... Nossos olhos mal se desviam...
Ela tira o que sobra de suas roupas e me despi enquanto sua boca abraça a minha
Nossos sexos se tocam...
O ar era intragável...
A ausência de nossas roupas... – não existe resistências...
Tudo é explicito, sua respiração aumenta...
Toco seus seios, beijo-os... – nada é injusto!
Ela entrava e saia dentro de mim, me desvirava como se conhecesse meus segredos...
Suas unhas passeavam pelas minhas costas e eu a sentia molhada em mim.
Mariane parece ter sido feita sob medida pra mim... As nossas vontades se espalham...
Ela entrelaça seus dedos entre os meus e percebo o quanto suas caricias são sofisticadas.
Seus pêlos roçam pelas minhas coxas, o corpo se arrepia...
O calor cresce!
Meu rosto encosta no seu, nosso beijo é completo... Nosso abraço é linear!
Meu pensamento tem o ritmo de suas mãos... Ela sobe e desce com sua boca por todo meu corpo e me abraça faminta e sem cansaço.
Sua pele parece ter sido criada por meus dedos..., eu lhe amava com meus lábios e ela apertava minha nuca e fechava os olhos com força.
Nossos corpos se misturam e eu sabia que viveria algo exagerado com ela.
As respirações aumentam...
Beijo a parte interior da coxa, e ela se senti acariciada...
Toco seu rosto, sinto seu cheiro..., meus dedos contornam seus seios, e eu descubro seu corpo lhe tocando como se fosse ela mesma.
O rádio tocava uma música que lembro ter escutado na infância...
O suor escorri... Os movimentos ficam mais rápidos...
Ela me olha, me nota, me beija e me faz sentir único.
Os cabelos dela parecem colar em minha boca, seu jeito de pisar de mansinho antes de cair na cama..., meu corpo examinado por seus lábios...
Não existia cobranças... – mas ninguém aceita ser objeto se paixão sem fazer exigências.
Fizemos amor a noite toda, mas parecia que sempre vivemos juntos...
Dormimos abraçados e sem pressas! Depois de um tempo ela me acorda... eu a beijo ainda sonolento...
Eu – já quer se livrar de mim?
Mariane – não devia se preocupar com o próximo passo agora, preocupe-se com ele quando o estiver dando.
Eu – você sabe onde quero chegar?
Mariane – no futuro.
4° encontro
Cenário ( Rua do sol)
Eu – qual sentimento você não consegue conviver?
Mariane – inveja.
Eu – só?
Mariane – só. Porque todos os outros por melhor ou pior que sejam, nos faz aprender algo.
Ficamos um momento em silêncio... Foi como se um anjo passasse...
Ela olhou pra mim como se já tivesse respostas pra todo, e estava feliz pelo tempo que ela pedira.
Mariane – você já sabe né? (falou com ar de risos)
Eu – não... só imagino.
Mariane – sabe onde quero chegar?
Eu – no futuro.
Fim

